Vemos
o céu escuro, sujo pelos aviões que rasgam a escuridão. Vemos um labirinto sem
saída, as pessoas massacrando-se, os interesses oprimindo os sentimentos. Vemos
a paz se dissipar enquanto os disparos da guerra tornam-se a trilha sonora do
mundo. Vemos as pessoas perdendo a direção das suas vidas, tomando rumos onde
nem mesmo a esperança consegue chegar. Vemos um arranha-céu engolir todos nós,
enquanto as folhas perdem a vitalidade, os animais se escondem e os crentes
oram. Vemos a vida chegar a um ponto totalmente incrédulo, onde a sobrevivência
é quase tão impossível quanto contar até mil em sete segundos. Vemos rostos
vingativos diante da perda, sonhos estraçalhados diante da falha, corações
pedindo socorro diante de tanto egoísmo. Vemos tudo desabar diante de nós até
sentirmos medo de continuar com os olhos abertos…
Algumas
lágrimas caem, dando início ao desespero amargurado que tenta se dissolver no
meio de um choro intenso.
Uma
luz no fim do túnel, o horizonte para a psicose, a paz para a maior e mais
duradoura das batalhas.
Mas
em contrapartida, … O amor é aquele que delicadamente toca o ser humano que há
em cada um de nós e vai nos envolvendo em um manto de ternura. O amor é aquilo
que vemos nos olhos de alguém que dá alimento a uma criança faminta.
Um
trabalho árduo: acender a chama da vida nos olhos calados de cada um de nós
quando o caos começar a nos levar à morte. O trabalho de dar á toda a
humanidade a coragem e a ousadia de abrir os olhos outra vez, de enxergar uma
forma de recomeçar, de acolher o sofrimento do outro e compartilhar o seu próprio.
Sem comentários:
Enviar um comentário