quarta-feira, 13 de junho de 2012

Realidade

Vemos o céu escuro, sujo pelos aviões que rasgam a escuridão. Vemos um labirinto sem saída, as pessoas massacrando-se, os interesses oprimindo os sentimentos. Vemos a paz se dissipar enquanto os disparos da guerra tornam-se a trilha sonora do mundo. Vemos as pessoas perdendo a direção das suas vidas, tomando rumos onde nem mesmo a esperança consegue chegar. Vemos um arranha-céu engolir todos nós, enquanto as folhas perdem a vitalidade, os animais se escondem e os crentes oram. Vemos a vida chegar a um ponto totalmente incrédulo, onde a sobrevivência é quase tão impossível quanto contar até mil em sete segundos. Vemos rostos vingativos diante da perda, sonhos estraçalhados diante da falha, corações pedindo socorro diante de tanto egoísmo. Vemos tudo desabar diante de nós até sentirmos medo de continuar com os olhos abertos…
Algumas lágrimas caem, dando início ao desespero amargurado que tenta se dissolver no meio de um choro intenso.
Uma luz no fim do túnel, o horizonte para a psicose, a paz para a maior e mais duradoura das batalhas.
Mas em contrapartida, … O amor é aquele que delicadamente toca o ser humano que há em cada um de nós e vai nos envolvendo em um manto de ternura. O amor é aquilo que vemos nos olhos de alguém que dá alimento a uma criança faminta.
Um trabalho árduo: acender a chama da vida nos olhos calados de cada um de nós quando o caos começar a nos levar à morte. O trabalho de dar á toda a humanidade a coragem e a ousadia de abrir os olhos outra vez, de enxergar uma forma de recomeçar, de acolher o sofrimento do outro e compartilhar o seu próprio. 




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